segunda-feira, 27 de julho de 2009

Santiago de Chile - 27.07.09 2h

E agora, Josés? A festa acabou...
Um sonho! Não teria eu palavras outras para definir a minha viagem, ou a nossa viagem, para Santiago. Uma experiência a qual minha imaginação não teria a capacidade de produzir algo tão perfeito! Estava longe, demasiadamente longe da minha habilidade de ser humano, idealizar uma história em que tudo foi minuciosamente maravilhoso... As pessoas, as visitas, as risadas, as bebidas, os amigos... Ai, meu Deus! Já começo a chorar só em lembrar dos amigos! É surreal a forma como um grupo tão heterogêneo pôde se dar tão bem, pôde curtir tanto uma viagem...
Preciso de uma pausa para os agradecimentos... Em primeiro lugar, a Deus! Quando paro, fecho os olhos, e deixo minha mente passear, viajar, brincar com as lembranças, é como se pudesse sentir uma força sobrehumana concorrendo para que tudo se encaixasse de forma tão... tão... tão magnífica!
Em segundo lugar, agradeço a minha mãe... Por me amar, por me apoiar sempre, por me incentivar a correr atrás dos meus sonhos e, inclusive, por me apoiar nessas loucuras como a de vir a um país completamente distinto, sob a proteção unicamente de Deus. Sua presença na minha vida tem um significado mais forte do que você imagina. Não é algo dessa vida! "Te amo" é pouco para descrever o que sinto por ti, mulher!
Em terceiro lugar, aos meus amigos! Vamos aos poucos...

* Marina - Você vem em primeiro lugar, gata! Cara, quando peguei a sua mensagem de despedida ao lado do computador, chorei compulsivamente. Em duas semanas, você me ensinou a te amar, garota! Seja o que você é sempre... Linda, espontânea, sincera, de bem com a vida! O mundo precisa de pessoas que entendam que o tempo passa e que é preciso viver e não existir e, assim, fazer a diferença na vida do próximo. Você mudou a minha vida!

* Liana - Você é incomparável! Queria seus abraços todo dia, seu beijo de bom dia, seus sorrisos, seu jeitinho gostoso de viver a vida. Aprendi com você mais do que imagina que possa ter me ensinado! Não é por acaso que entramos na vida um do outro... Nunca me esquecerei que "a gente não está nesse plano para satisfazer a ninguém... vivamos, porque essa vida passa... aproveitemos e esqueçamos essa coisa de culpa...". Grande beijo, minha linda!

* Camila - "Amigo, a gente precisa conversar..." (risos). Meu coração ficou apertadinho agora em lembrar disso! Ah, te extraño tanto, cariño! Você é tão especial! Te conhecer foi demais... Demais mesmo... "Já que namorar tá difícil, vamos beber!". Sem palavras! (risos)

* Sara - Minha pseudo-francesa... Você é diferente de tudo que conheci na vida (risos)... Originalíssima! A boina, os traços franceses, o humor, o jeitinho cativante... Afinal, você não é obrigaaaaaada! (gargalhadas)... Seja sempre essa mulher espetacular que você é, afinal "o babado é certo, filha!" rsrsrsrs

* Stella - "Oh, mano, tá me tirando?" Sarang Heyo!!!! Eita coreana arretada! Linda, seja sempre essa pessoa pura que você é... Pura em todos os sentidos. Todos! O mundo precisa de pessoas que tenham a energia, a pureza, a delicadeza, o olhar, a ternura de uma criança, como você esbanja!!! Você é um ser angelical! Te conhecer foi uma experiência incrível, a ponto de me fazer rever meus próprios conceitos de "maldade", "amizade" e "inocência". Parabéns por ser quem você é!

* Leonardo - Uma pessoa insubstituível! As aulas contigo foram inesquecíveis... Divertido, original, inteligentíssimo! "Enton tá bien, neh?!" (risos). Nossa turma foi a melhor que já tive na vida... Uma integração incrível, neh?! A vida ainda te ensinará muita coisa, my dear, pode ter certeza! Grande abraço!

* Nicolas e Perroud - Vocês são duas figuras!!!! (risos). Nicolas: "Oh, Doug, me ajuda, véi, eu to borracho pra caralho...". Muito irado conhecer vocês, brothers! Valeu por tudo!

* Rebeca e Juliana - Vocês são lindas, mas são mais lindas ainda por dentro. São a prova clara de que rostinhos bonitos podem também ser pessoas inteligentes, cativantes e simpáticas. Amei conhecer vocês, meninas!

* Silvia, Cecy e Andrea - A chinesa, a brasuca e a japa! (risos)... Vocês são especialíssimas em minha vida! Obrigado por tudo que vivemos...

*Bruna e Giovana - Cuidado com o Léo, gente! Mantenham-no longe da bebida (gargalhadas)... Bruna, beba com ele, honey! É o melhor conselho que eu tenho pra te dar... Nada como emborracharse juntinho... :-)

* Raphael e Larissa - Não sei se falei isso, mas vocês formam um casal lindo! (risos). Me diverti bastante com vocês também... Vamos manter contato, beleza?

* Will, Bia, Dani, Gaby e Rodrigo - Não tivemos a oportunidade de nos conhecermos direito, mas vocês são super legais também... Amei o accento nordestino da Bia e do Will (risos). Valeu, galera!

* Emison - Falando em acento nordestino, vc é arretado hein, mocinho?! Um cara de bem c a vida, inteligente, alegre... Adorei conhecer vc, já é um amigo super especial...

Amanhã, quando estiver menos cansado, escrevo mais, galera! Boa semana a todos e boa viagem aos que ainda não voltaram para o País das Delícias...

Doug

terça-feira, 21 de julho de 2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Antiga descrição do meu orkut

"Eu sou a energia em transição. Sou a metamorfose ambulante. Sou o professor de Inglês, ou Espanhol, ou Português, ou História. Sou o amigo baladeiro e cômico. Sou o namorado meloso e irritantemente romântico. Sou o "enredo"... Sou o aluno cdf e chato. Sou uma poeira intergaláctica que passava do amor (Vênus) para a força (Marte), mas preferiu parar por aqui mesmo, ficar pelo meio do caminho... Sou a inconstância materializada num só ser humano!O que eu já fiz? Não muita coisa. Ainda há passos e passos a trilhar, mas posso dividir algumas poucas experiências. Já devorei caixas de bombom sozinho. Já paguei mico cantando música do Johnson's Baby Shampoo em plena aula de Informática. Já bati de carro (uai!). Já beijei com bala na boca, debaixo de chuva e só nós 2 na praia (= paraíso). Já tropecei em sala de aula enquanto explicava matéria pros meus alunos. Já sujei o nariz da minha irmã de chocolate só pra convencê-la a comer brigadeiro com Look comigo (e o pior é que ela comeu). Já morei 1 mês no exterior (melhor experiência da minha vida, dps do amor, claro). Já fiz cinco blogs e escrevi 2 contos. Já curei uma dor de cabeça com um sopro (cena surreal!). Já desci no Kaboom e senti frio na barriga.Já visitei Beto Carreiro World, Maceió, Floripa, Caparaó, Porto Seguro e Raposo. Já falei da vida dos outros (aff, diariamente). Já ri das próprias desgraças (tbm diariamente). Já durmi falando no celular. Já enfrentei sogro duro na queda e já passei pela deliciosa (e recente) experiência de namorar na frente da sogra. Já quis morrer. Já brinquei de Power Rangers (amava ser o branco, era demais!). Já assisti TV Colosso e Carossel. Já cantei junto com a abertura de "Carinha de anjo" e "Belíssima". Já fiquei com tanta raiva das vilãs como Laura, Flora e Nazaré que tive vontade de entrar na tv pra esganá-las. Já sofri por amores "não-eternos" (ainda que soubesse que nada é eterno).Já fiz amor em locais inimagináveis. Já duvidei da existência de Deus e do amor. Já fui a Igreja Universal e a reuniões de budismo. Já fiz curso de latim e curso de oratória. Já tentei aprender violão (e saquei que como músico, sou magnífico professor de Inglês).Já quis alguém que nunca poderia ter. Já traí e fui traído. Já achei que fosse perder o amor da minha vida e sofri demais por isso. Já pedi demissão de emprego e já fiz trabalho voluntário. Já fui sado-masoquista (ops, ainda sou).Já dei uma de ator e uma de cozinheiro (a primeira opção foi 10, já a segunda... enfim, voltemos ao texto). Já provoquei onças com vara curtíssima. Já me apavorei com a possibilidade inesperada de ser pai. Já ouvi a mesma música por mais de 100 repetidas vezes numa noite. Já chorei a ponto de achar que meu peito fosse abrir. Já perdi o único pai que a vida me deu.Já briguei feio com minha mãe. Já tive DRs de madrugada, ao celular. Já banquei o "psicólogo sexual" de amigos. Já prometi cursos intensivos de "não-posso-falar" pras minhas 4 melhores amigas. Já chorei de tanto rir num sex shop. Já mandei flores pra pessoa amada. Já virei amigo confidente de ex-professores e ex-alunos.Já tirei nota vermelha e fiz prova final. Já dei cola e o professor viu. Já peguei cola de aluno e prometi o zero q nunca dei. Já cheguei em casa de manhã. Já estive em cantos que minha família me mataria se soubesse. Já fiz coisas que havia prometido a mim mesmo que nunca faria. Já vi Um Amor Pra Recordar 11x e chorei 10. Já chorei horrores lendo O Terceiro Travesseiro. Já li boa parte da obra de William Shakespeare. Já interpretei o Arcanjo Gabriel e o detetive Somerset.Já palestrei sobre "Anarchism" e "Delírios mitológicos". Já me dispus a estudar inglês, espanhol, francês, italiano, árabe, grego e latim. Já me passei por outra pessoa.Já fui viciado em pkémon e Digimon e me orgulho até hoje do meu Noctowl no level 100. Já dei fatalities incríveis no Mortal Kombat. Já quis voar (e até tentei, embora a experiência tenha sido frustrante).Já fiz de tudo um pouco. E já pensei que tivesse visto tudo. Aí a vida me fez acordar e começar d novo!"

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Tinha uma pedrinha no meio do caminho...

Benvindo, André Gazola!

Adorei sua cordial resposta à crítica. Constatei vários pontos que me instigaram a alma ao ler o seu texto: a falta de academicismo é uma delas! Ora, seu tom de pseudoelitismo se apresenta tão rapidamente, meu caro? Nossa, pensara eu que iria custar a fazê-lo! Never mind...
Vamos brincar de desconstruir pontes? Olha como se brinca disso:

"Pois então, tua análise começa com uma pequena introdução de quatro parágrafos. Tu chama de introdução, mas parece mais uma sessão de massagem ao próprio ego. [Volte ao 4º parágrafo do texto em que me justifico pela introdução, e cuidado ao falar bobagem, mocinho! Coisa feia, hein?!] Na verdade o texto não tem introdução nenhuma, se não tivesse título o leitor só saberia do que se trata essa verborrose depois da citação de Voltaire. [E qual seria a graça de entregar os pontos tão depressa? Já é de praxe, num texto acadêmico, guardar as boas cartas da manga para o fim do jogo! rs] No devido texto, teus argumentos são fragéis e esparsos. Digo esparsos porque o tamanho do texto se deve a narrativas que nada tem em relação à amálise. [Vamos ver se eu entendi: meu texto tem argumentos esparsos porque é grande? Nossa, nunca soube que tamanho do texto fosse o critério para se definir a riqueza dos seus argumentos!] E são frágeis porque contradizem uns aos outros. [E que contradições seriam essas, meu caro? Não acuses sem apontar/definir as falhas. Caso contrário, fica naturalmente evidenciado sua falta de competência!] Tu citas alguém para criticar a tradução de um texto. Tu fala de raciocínio circular, mas o teu único argumento que defende Meyer é que o livro fala de amor, e que amor é bom. [Aqui então eu acho que a única coisa que posso dizer-lhe é: LEIA TODO O TEXTO OUTRA VEZ! Se fiz as citações supramencionadas, foi exatamente para trazer argumentações ricas e sustentáveis ao texto, querido, e não para mostrar excessiva sapiência. Afinal, quem muito sabe não precisa dizer que sabe, correto?] Enfim, não dou a essa aberração que você chama de texto [Ai, mas que falta de elegância! Não chamo de "texto", meu caro, chamo de CRÍTICA ACADÊMICO-LITERÁRIA! Um universitário que se pretenda profissional deve ter mais cuidado com as palavras, André!] o luxo de mais de 20 minutos do meu tempo [Tempo esse que, pelo visto, é aproveitado com comentários não-tão-cuidadosos!] e te deixo um último conselho:Dá próxima vez que quiseres refutar algum argumento, não o faça. [Amei esse final! É de uma irritação tão instigante que me conduz a orgasmos intelectuais tântricos!]"

Meu amigo, só tenho a agradecer-lhe por ter me feito rir com um comentário à altura da sua resenha! Enfim, o mundo é plural, não é, querido?!
Voltemos a Voltaire: “Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defendereiaté a morte o vosso direito de dizê-lo!

Saudações cordiais!

D. Lemos

sexta-feira, 20 de março de 2009

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Aos meus alunos do Pré-Vestibular Social Machado de Assis,
Em primeiro lugar, bem-vindos ao blog!
Aqui está o link do MANUAL da Editora Abril acerca do NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Deliciem-se:
http://www.atica.com.br/novaortografia/index_.htm
Anotem as dúvidas para a próxima aula (27/03/09)!
Bom fim de semana, pupilos!
Abs.
"Tio" Douglas (rs)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Análise da resenha sobre CREPÚSCULO do blog Lendo.Org

Caro André Gazola,

Após ler o seu texto sobre Twilight Saga e enviar-lhe aquele e-mail sobre a impossibilidade de comentar no seu blog, resolvi escrever-lhe esse correio.
Vou novamente apresentar-me para que, desde já, saiba que não se trata de nenhuma adolescente saindo da puberdade e que se apaixonou pelo Edward Cullen, desejando estar na pele da Isabella Swan. Tampouco sou um obcecado por uma obra a ponto de fechar os olhos para seus defeitos. Sou, diga-se de passagem, fanático pela literatura shakespeareana, mas não ponho o mestre de Stratford-upon-Avon num pedestal, como se o idolatrasse.
Meu nome é Douglas Lemos Monteiro dos Santos. Tenho 20 (vinte) anos e moro em Campos dos Goytacazes (norte do Estado do Rio de Janeiro). Curso Direito (7º período) na Universidade Fluminense (Faculdade de Direito de Campos) e também Relações Internacionais (5º período) na Universidade Candido Mendes. Em assim sendo, sou um universitário como você, e pretendo, a partir desse e-mail, debater com você (se me permite tal pronome de tratamento, já que temos a mesma faixa etária).
Sou formado (em curso particular) em inglês, espanhol, francês e latim. Termino esse ano italiano. Veja: não intenciono enviar-lhe um CV meu (rs), apenas quero apresentar-me como alguém que se dispõe a um debate acadêmico, o qual certamente interessa a nós dois, pois apesar de você ter detestado a série Crepúsculo, ainda assim esta lhe interessou (isso você tem que admitir, afinal, se do contrário fosse, você não haveria lido toda a série, correto?).
Para finalizar a introduction, sou professor há 8 anos (acredite! Rs). Trabalho com Português, Inglês, Espanhol, Francês e História. Amo, em primeiro lugar, a Língua Portuguesa e sou um apaixonado pela educação. Sou um pouco idealista a ponto de ainda ter esperanças de que seja essa a solução para os problemas de nossa nação.
Vamos ao que interessa...
Começaria com uma pequena citação do louvável filósofo francês Voltaire:
“Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei
até a morte o vosso direito de dizê-lo!”
Seria por demais leviano de minha parte se não houvesse, antes de fazer qualquer crítica, lido a seu respeito e vasculhado bastante o Lendo.org. Fique registrada aqui a minha admiração tanto pela iniciativa do blog como pelo conhecimento e maturidade do autor. Você, sem dúvidas, é um profissional de grande potencial e criatividade.
Pude perceber que é um homem de muita leitura e muito conhecimento de mundo. Seu blog é praticamente impecável! Suas abordagens vão da literatura clássica à contemporânea, o que também me chamou a atenção.
É uma pena que a resenha quanto às obras de Meyer fuja à toda a lógica coerente que você, por hora, apresentara em sua página virtual. Sua crítica, ainda que não seja de toda equivocada, parece um post que destoa em meio a tanta coisa bacana que você apresenta no blog.
Para início da abordagem, façamos uma análise... Em janeiro de 2008, viajei para Dublin (Irlanda), onde fiz curso de Inglês Avançado. Como requisito para aprovação final do curso, tive de dar uma palestra, uma aula sobre um tema que tivesse a ver com minha carreira. O assunto escolhido pelo professor (que era Ph.D.) foi Anarchism. Quase pirei quando ele me lançou tal desafio. Tive medo porque tenho conhecimento de História (devido a ambas as faculdades), mas não sou formado na área... Por fim, mandei um e-mail de lá para uma amiga, ex-professora minha, graduada e mestra em História, que me respondeu, salvando-me a vida (rs).
A primeira dica dela foi “Querido, Douglas, vamos começar com a seguinte orientação: os seres humanos traçam suas análises a partir de suas experiências de vida. Isso equivale dizer: são as nossas experiências que constroem, quase sempre, nossa visão de mundo. Digo isso porque não será fácil para você, num continente em que o poder estatal sempre teve uma significação mais consistente que a nossa, falar de uma doutrina filosófica que se opõem a qualquer forma de hierarquia, entende?”.
Farei minhas as palavras dela como início de minha discussão, querido! Em diversos pontos de sua resenha (sua não, da Kellen Rice), a crítica não apresentava nenhum argumento em si, apenas opinião pessoal sem embasamento científico (vale lembrar que seu blog se propõe a ter o status de um estudante universitário, certo?!).
Vale registrar também que você respondeu ao último leitor do blog que o texto original não é seu, mas que era uma tradução de Rice incluindo algumas opiniões suas. Bem, para quem domina a língua inglesa e se dispõe a ler o original na íntegra e fazer as devidas comparações, verá que praticamente não há opiniões suas! Há, na verdade, uma tradução, não tão bem feita, e uma única mudança praticamente: Rice fecha a análise dando graças a Deus pelo fim da série, enquanto você se lamenta pelo lançamento de Midnight Sun. Ora, não estivesse o link do texto em Inglês disposto no início, diria eu que você violou direitos autorais. Se bem que, com ou sem ele, você ainda usou do texto como se seu fosse ao passar até os adjetivos para o masculino (“estou horrorizado!” etc). Isso não foi elegante para um estudante universitário!
Uma vez que você é aluno de 5º período de Letras, deve ter estudado, ainda mais do que eu, o que chamamos de falácias. Refiro-me àqueles erros intencionais de raciocínio, que se diferenciam, nesse sentido, dos sofismas. Pois bem, seu texto é amplamente falacioso! Erros (intencionais) de raciocínio estão por toda a parte! Talvez a mais comum tenha sido a falácia conhecida como “petição de princípios” ou “raciocínio circular”.
Explico-me: “Quando a “justificativa” é muito longa, podemos nos perder e não notarmos que a pessoa acabou não dando evidências para aquilo que disse.” (Extraído de http://ateus.net/artigos/ceticismo/falacias_e_erros_de_raciocinio.php)
Outra falácia que o texto apresenta é o ataque pessoal (ad persona). Uma boa redação acadêmica deve apresentar pontos falhos de uma obra, e não atacar o autor da mesma. A menos que seja de sua intenção, um aluno de graduação, fazer ofensas a uma professora universitária, Ph.D., formada em literatura inglesa pela Brigham Young University. Ah, a propósito: Crepúsculo é o livro do ano da Publishers Weekly e primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times.
Há também, na resenha de Rice, André, argumentos personalíssimos! Dizer que Crepúsculo apresenta uma tendência machista é apresentar como argumento literário uma opinião pessoal bastante questionável. Poderia eu dizer também que Machado de Assis criou um estereótipo em Dom Casmurro: toda mulher dotada de beleza e sagacidade é adúltera e todo bom homem ficará com o eterno e doloroso questionamento de “Ser corno ou não ser: eis a questão!”. Entretanto, discordo de tal visão: todos sabemos que Dom Casmurro é uma obra-prima do fundador da Academia Brasileira de Letras! Capitu e seus olhos de ressaca jamais agregariam tal carga de machismo à literatura machadiana!
Se forçássemos ainda a discussão e a extendêssemos à inolvidável Romeu e Julieta, atrever-nos-íamos em dizer que a doce Capuleto apresenta-se terrivelmente submissa ao ilustre mancebo Montequio! Ora, nossa querida Julieta prefere condenar sua alma à eternidade do inferno pelo pecado mortal do suicídio a ter de viver sem a sua metade da laranja... Caro André, você por acaso encontraria embasamento acadêmico-literário para defender tal tese?
Ou ainda, quem sabe, poderíamos confundir, novamente, amor incondicional com guerra dos sexos se partíssemos para a literatura francesa: que tal brincarmos com O Conde de Monte Cristo? Edmond Dantes, o jovem marinheiro preso injustamente no dia de seu matrimônio, faz mulher a bela e apaixonada Mercedes antes do cerimônia nupcial! Oh, céus! E eu que pensava que a francesinha era inocente e pudica... Seria o romance de Alexandre Dumas mais um exemplo de amor sem reservas ou uma cruel tentativa de perpetuar valores de uma sociedade machista?
O estudo da História me ajudou a ter algumas respostas... Permita-me compartilhar algumas delas contigo! Quando trabalhei Literatura Brasileira num cursinho pré-vestibular há dois anos, usava sempre a História como irmã do conhecimento literário... O aluno de Literatura compreende melhor a análise do texto e da escola literária se tiver em sua tela mental o momento histórico referente ao tema discutido. Isso, obviamente, você sabe bem... Até melhor do que eu, após tantos debates acadêmicos de criação e estudo literários!
A passagem da Idade Média para a Idade Moderna, colocando o elemento humano não apenas como ponto nodal do conhecimento científico mas como medida de todas as coisas que existem (e tomam consciência da própria existência a partir e através do ato de pensar, com a devida venia cartesiana), tal mudança deixou marcas irreversíveis na história da humanidade... Em primeiro lugar, o Humanismo e Renascimento deram ao homem a certeza de que ele, e não theos (o todo-poderoso), daria resposta para o mundo em que ele vive.
O ser humano começa, então, a conceber que ele é o tal... “É nóis na fita!” – como diriam os meus alunos pré-vestibulandos... Para dar ainda o golpe de misericórdia, tem-se, no século XVIII, o Enlighment: o Iluminismo ou o Século das Luzes... A razão surge como elemento explicador da realidade! A racionalidade é a resposta para como o homem do Renascimento iria apresentar soluções para o seu entorno que não pelo viés teológico.
Bonito né?! Não... Não há nada de belo se entendermos que, com tanta exaltação ao próprio umbigo, o homem perdeu a capacidade de sonhar... Perdeu a habilidade de amar sem reservas! Dificilmente nos dias atuais veremos uma produção literária que perpassa os séculos com tanta vivacidade como Romeu e Julieta...
O que me encantou na obra de Stephenie Meyer foi, a priori, o sentimento que existe entre Isabella Swan e Edward Cullen. Deve ser difícil, André, para algumas pessoas entender o fato de o vampiro “vegetariano” tentar e não conseguir ficar longe da atrapalhada filha do policial Charlie e da histérica Renée. Entender o porque de algumas páginas de Lua Nova apresentarem apenas o nome dos primeiros meses em que Bella esteve longe do seu amado. Recurso que, diga-se de passagem, eu achei inteligentíssimo!
Há uma coisa que incomoda a alguns leitores de Crepúsculo: a troca energética entre o casal principal é de tamanha amplitude que viver um sem o outro é um exercício sobrehumano. E olha que Edward nem humano é, e ainda assim viver sem o seu amor não é uma habilidade que lhe assiste! Cullen consegue ler mentes e correr numa velocidade incalculável, mas não consegue viver sem uma rélis mortal... Deve ser irrisório tal fato para alguém com uma visão tal negativa da vida, não é, André?
A relação de Bella e Edward é tão encantadora que, por diversas vezes, um prefere tomar atitudes que não lhe agrada tanto porque ver o outro sofrer lhe doeria mais... Isso tem um nome, caros leitores: AMOR! Quando se ama de verdade, você vira segundo plano em sua própria vida, porque a felicidade do outro lhe é mais importante... Ah, e isso não é submissão, não é machismo, não é renúncia à própria vida: é viver em plenitude!
Pena que o golpe de misericórdia do Iluminismo impeça a tantos, dois séculos depois, de enxergarem a integridade da vida. Distorceram até a palavra: misericordia, do latim “trazer para perto do coração”. Palavra tão bonita e tão esquecida...
Nessas horas entristeço-me com o fato de as graduações cada vez terem menos carga de humanidades... Filosofia, sociologia, política... Estão desaparecendo dos cursos superiores! Que pena! Questiono-me que tipos de profissionais estão se formando...
Com o devido respeito, admiração e insuspeitosa decepção, despeço-me...
Campos dos Goytacazes, 26 de fevereiro de 2009.

Douglas Lemos Monteiro dos Santos

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Capítulo VIII (Conto II)

Naquela manhã, a casa de Anyne estava no mais absoluto silêncio. As luvas da fantasia de mulher-gato ainda estavam pelo sofá e a camisa de Lucas no canto da sala. A claridade no quarto deixava o ambiente ainda mais belo. Lucas respira fundo, e admira a amada durmindo, com a cabeça em seu peito. O sono leve da gata fazia com que ele respirasse bem devagar, com receio de acordá-la. Era tão gostoso vê-la adormecida sobre o seu peito! Lucas não queria sair dali por nada.
O dia amanhecia com um sol revitalizante e convidativo, quando o celular do professor vibra sobre o criado-mudo ao lado de cama e ele se apressa em atendê-lo para não despertar o anjo de seu soninho.
“Oi, Helena! Bom dia!” “Bom dia, querido! Desculpe ligar cedo, mas tenho notícias... Boas e más!” “Começa pelo pior, vai...” “Bem, Thaynam já me ligou três vezes porque você não deu sinal de vida desde ontem. Lucas, pelo amor de Deus, quando você for pra casa de Anyne, primeiro me avise pra eu não dar mancada quanto a sua mulher e segundo ligue pra ela pra dizer que você “chegou bem” ao seu destino.” “Pode crer...” “Você conhece bem a esposa que tem, meu lindo! Ela fica preocupada se não ouve sua voz por mais de algumas horas...” (risos) “Obrigado pelos toques, amiga! E a parte boa seria...?” “Oficialmente Preservação da Mata Atlântica já é uma organização regulamentada! Já estamos em funcionamento!” “Ai, que benção ouvir isso, minha amiga! Fico muito feliz!” “Fique feliz, mas ao mesmo tempo prepare-se, porque já começamos a trabalhar hoje.” “Alguma notícia de Caio?” “Sim! O prefeito terá uma coletiva hoje, no salão do Paladium Hotel, para tratar dos planos do Águas de Alvorada Resort.” “Precisamos agir então, Helena! Esse resort não vai sair do papel...” “Já liguei pra todos da ONG e vamos armar um barraco lá hoje! (risos)” “Será que protesto é a melhor opção?” “Querido, será uma coletiva com os poderosos do empresariado baiano. Não creio que os empresários fiquem satisfeitos em ver oposição ao projeto do prefeito, veiculada ainda em rede nacional...” “Pode apostar que não!” “Nos reuniremos ao meio-dia, Lucas, na sede da organização.” “Tudo bem. Vou passar em casa agora, tomar um banho e te encontro lá em 1h e meia.” “Fechado, professor!” “Beijos, anjo!”.
O biólogo levanta-se cuidadosamente. Admira por mais um tempo a bela durmindo... A respiração leve e calma. Ele, então, passa a mão nas peças de roupa e parte para casa, deixando apenas um bilhete: “Uma noite perfeita com uma mulher mais-que-perfeita. Te amo!”. Lucas dá a volta na praça quando avista dona Harmonia. Ele pára o carro e estende a mão para cumprimentá-la.
“A benção, mainha!” Com um sorriso materno, Harmonia se aproxima do carro e põe a mão direita sobre a sua testa. “Deus lhe abençoe, professor!” “À senhora também, vixi, mainha!” “E onde vais tão cedo, filho? Não estás na universidade hoje?” “Eu e Helena vamos fazer uma mobilização em frente ao Paladium, querida, porque o seu filho estará com a coletiva do resort...” “Aquilo já deixou de ser meu filho há anos!” “Bem, mainha, seja lá como for, preciso ir...” “Que Nosso Senhor lhe guie, filho!” “Inté, mainha...”.
Dez minutos depois, Lucas entra em casa. “Meu amor, eu já estava aflita! Onde você estava?” “Thaynam, eu saí de casa não faz nem 24 horas. Estava sem sinal onde eu estava e o celular não estava funcionando bem.” “Ai, amor, liga do hotel pelo menos pra dizer que chegou bem da próxima vez...” “Ok...” – responde Lucas abraçando a esposa e beijando-lhe o pescoço. “Promete?”. “Ai, Thay, prometo!” – a mulher abre um sorriso ao mesmo tempo que beija o marido apaixonadamente.
“Gatinho, você chegou e já vai sair?” “Vou com Helena e o pessoal da ONG pra manifestação no Paladium.” “Aquele mimado do Caio não desistiu dos planos de construção do resort?” “Ao que tudo indica não, meu amor!” “E o povo ainda vota no cara! Brasileiro não sabe votar mesmo né?!” “Nós, brasileiros, aprendemos a votar por conveniência, meu amor! Infelizmente...” “Infelizmente mesmo!”. Lucas toma banho, enquanto Thaynam conversa com ele sentada no chão do banheiro, lixando as unhas. “Amor, chegou uma correspondência pra você hoje bem cedo...” “De onde?” “Sem remetente, gato!” “Estranho...” – responde um pouco intrigado. “É...” – fala a mulher concentrada nas próprias unhas.
Lucas sai do banho e escolhe uma roupa, enrolado na toalha. Joga a carta em sua pasta, quando o telefone vibra. “Mais-que-perfeita foi a noite, seu bobo! Também te amo!”. O professor abre um sorriso e Thaynam pergunta o que foi. Lucas desconversa, mas a mulher não engole a desculpa.
Não duraria meia hora para, então, Lucas estar saindo de casa e a esposa sentir um cheiro diferente na roupa que ele havia tirado e jogado no cesto. A psicóloga podia apostar que seu sexto sentido lhe dizia alguma coisa...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Conto III - Primeiro capítulo

Salve, salve, amigos!


Em tempos de Big Brother, essa entrada é até chata neh?! rs


Vamos ao primeiro post de 2009!!!!


Bem, atrever-me-ei, logo de cara, a cometer um pecadinho venial com meus amigos-leitores: vou dar uma pausa no conto II e abrir de uma vez o conto III!


Justifico-me: esse blog é como meu pequeno diário virtual e as histórias vão saindo conforme as idéias aparecem em minha mente. Esse é o meu pequeno laboratório intelectual, onde coloco minhas maluquices na placa de Petri, vejo pelo microscópio como a divisão celular tem ocorrido e mando ver... rs... Brincadeira!


Enfim, confesso que Lucas, Anyne e Thaynam têm me seduzido há pouco mais de um ano, mas minha mente tem pedido um descanso de Alvorada. E estou com inspiração shakespeareana para escrever um thriller. Explico-me: vamos a um novo conto, em que suspense, história, literatura e romance estarão unidos como jamais consegui fazer! Perseguição policial, mistério, assassinatos, libido e muito mais!

CAPÍTULO INTRODUTÓRIO: PERPÉTUA PROMESSA!

Nossa história se iniciará na Bahia (novamente na Bahia! rs). Em pleno verão de Salvador, o Teatro Castro Alves exibe Tieta do Agreste com a casa lotada. Trinta minutos passados das 21 horas, os espectadores começam a ocupar os primeiros assentos do grande salão. A belíssima atriz Elizabeth Howard, conhecida por "Liz" Howard, encarnaria a exuberante e decidida Tieta, voltando para sua cidade natal vinte e cinco anos depois de ter sido escuraçada pelo pai conservador.
No camarim, Liz terminava de se maquiar, quando batem a porta sutilmente. "Entre!" - responde a doce atriz. Era Kate Stanley, sua melhor amiga e também atriz. Katherine fazia o papel da amargurada Perpétua Esteves. Já estava caracterizada no seu figurino dark, mas Liz percebe que sua maquiagem estava um pouco borrada. Preocupada com a amiga, Liz logo se levanta e dispensa o maquiador. "O que houve, Kate?" "Amiga, eu estou com um pressentimento muito ruim." "Quanto a que?" "Calma. Presta bastante atenção no que vou te falar. Aconteça o que acontecer hoje, quero que você fique com isso."
Katherine lhe entrega um pequeno vidrinho com um pergaminho dentro. "O que é isso, Kate?" "Nada. Guarde consigo! É um segredo que eu nunca revelei a ninguém, mas ele hoje precisa estar em boas mãos." "Kate, você está me assustando!" "Eu estou doente, Liz!" "Meu Deus, mas doente como? Por que não me disse nada antes? O que você tem?" "Liz, eu não pude dizer nada antes, mas me prometa que você guardará isso com muito carinho!" "Tá, eu prometo, mas..." "Basta! Era só isso que eu precisava saber..." "Amiga!"
O som do teatro apita. O espetáculo começaria em 5 minutos. Sem dizer mais nada, Kate sai do quarto e deixa a amiga com o pequeno frasco de vidro em suas mãos. Liz termina de se arrumar e repassa suas falas.
A peça se inicia. Kate, como a sombria Perpétua, perpassa mais tristeza do que a personagem exige, deixando a amiga preocupada. A irmã da protagonista examinava a sua misteriosa caixa branca. As carolas Amorzinho e Cinira aguardavam a amiga na sala, enquanto ela alisava a caixinha. Após tomar um pouco de suco, Perpétua guarda o objeto no armário. Coloca várias roupas por cima e fecha as portas. Perpétua, então, cai no chão. O diretor Arthur Langdoc se desespera. Não estava no script que a personagem passaria mal. As cortinas se fecham e Kate Stanley é levada imediatamente para o pronto socorro.
Os médicos diagnosticam que a atriz ingerira veneno. Langdoc está irado. Alguém tentara envenenar uma de suas melhores atrizes, no dia em que o teatro Castro Alves estivera mais cheio possível! O diretor e professor de Literatura encontraria o culpado nem que fosse a última coisa que fizesse na vida!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo!

Último dia do ano de dois mil e oito. Ano de muitas, muitas realizações!
Mas façamos uma breve pausa: por que os homens desejam que o Ano Novo seja da forma "X" ou "Y"? Não, isso não está certo!
Acho que nós deveríamos dizer: "Desejo que o seu ano novo NÃO seja assim, nem assim, nem assim...". Ué, Douglas, dá no mesmo... Não, não dá no mesmo!
O ser humano é movido por instintos, desejos... E o nosso ego anseia pela realização de tais desejos. Quando fazemos planos que não são cumpridos, a sensação de frustração é inevitável...
Sem contar que é muito mais legal quando atingimos uma meta que sequer pensávamos que tal fato era uma meta em nossa vida... Diria já Paulinho Moska: "ENTÃO ME DIZ QUAL É A GRAÇA DE SE SABER O FIM DA ESTRADA QUANDO SE PARTE RUMO AO NADA?"
Partamos também nós rumo ao desconhecido. Não coloquemos metas tão exigentes em nossas próprias vidas. Deixemo-las acontecerem por si só!
Saiba o que você NÃO quer. Digo e repito: é a partir do instante em que você sabe o que você NÃO quer que a sua vida começa a tomar algum rumo. saiba quais itens deverão estar fora da sua vida na nova jornada. Ué, você tem mais 365 dias creditos na conta da sua vida. Se vc vive os 365 sem nada fazer, é problema seu. O saldo volta a zero!
Saiba delimitar quais coisas você não quer mais que façam parte de sua vida. Limpe a casa! Arrume o armário da sua vida... Tire tudo que é lixo, jogue os rascunhos fora, cara! Só deixe sobre a mesa folhas em branco, saiba que você é o escritor de sua vida! Não existe pré-determinação em termos de vida. É você quem escreve o próximo capítulo da sua vida.
A próxima novela está para começar em menos de 24 horas. Quem vai dita as regras é você! O vilão, a mocinha, a grávida, a puta, o fortão, a gostosa, o prefeito, todos os personagens dessa novela são seus! Aprenda a escrever!
Você pode não gostar de escrever, mas teve que fazê-lo algumas vezes na escola. E quanto à vida é ainda pior: ninguém te perguntou se você queria fazê-lo e ninguém vem a cada bimestre dizer se você está tirando nota azul ou vermelha... Nessa redação, você não tem borracha nem líquido corretivo. Apenas uma caneta! E diga-se de passagem: a caneta só tem UMA cor! O tom mais forte, mais fraco depende de como você pressiona a caneta frente à folha de papel...
Tá, tudo bem, todos erram... Mas não pegue a caneta e risque o seu erro. A folha vai ficar horrível com aquele borrão no meio da composição. É mais adequado que você, numa outra linha, diga o que você, de fato, queria dizer, só que agora com outras palavras, mais explicitamente.
Lembre-se: quem escolhe os personagens também é você! Só existe um grupo de pessoas as quais você não escolhe: família! Quanto a todas as outras, é sua função fazer a listinha!
Mas voltemos ao argumento: o critério para 2009 não é o da afirmação, mas o da negação. Não faça lista de metas para 2009, faça lista do que você quer que NÃO se repita em 2009!
Aí fica mais fácil: o que vier é lucro!
Se você exclui todas as opções ruins, só sobram boas e ótimas opções... kkk
Bem, fiquem com um texto muito profundo, de um escritor português, José Régio, que fala exatamente desse assunto:

Cântico negro
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Vivendo com persona

Oi. Meu nome é Pedro Luís. Sou brasileiro, solteiro e complexo. Tenho 27 anos. Não que minha idade seja avançada, mas certamente tem um peso na minha história de vidas que contarei aos leitores desse blog. Na primeira década do século XXI, eu levo uma vida grega! Grega porque minha perfomance diária é digna dos atores atenienses em épocas remotas...
Ah, eu não sou apenas eu! Eu sou eu e sou "ele"... "Ele" porque existem dois "pedros" num só! Olha, que espetáculo! Quando a platéia espera anciosa por minha atuação, eu entro com "persona", a máscara que me confere uma outra personalidade. E então eu falo, grito, converso, gesticulo, brinco, dou risada, corro, sofro, pulo, durmo e... E morro! Aproveito-me também, diariamente, da lição que nos trouxe a mitológica Fênix: eu sempre morro, para então renascer!
Afinal, hoje é Natal neh?! Pois é... Dia de morrer! Por mais que minhas palavras induzam o leitor a crer que estou volvendo-me louco por falar em MORRER no Natal. Mas, pensemos bem: morramos todos para renascermos! Ainda que das próprias cinzas!!! Enterremos nossos mortos, deixemo-los partirem, possamos dar-lhes o merecido descanso. E permitamos que renasça aquele fio belíssimo de esperança, verdinho verdinho, que se encontra lá dentro de nossos corações...
E quanto à persona, voltemos... É bem verdade que eu deveria ser um caso para o doutor Freud. Sigmund ficaria fascinado em analisar o meu caso. É por essas e outras que digo que algumas pessoas deveriam ser imortais... É... Alguns seres humanos como Sigmund Freud não poderiam morrer jamais! Entretanto, é a lei da vida! O circle of life, o ciclo da vida, como diria nosso amigo Simba...
Argumento, destarte, por um motivo muito simples: sofro de múltiplas personalidades! Não que eu mude meu humor com facilidade como alguns, irritantemente, o fazem. Lo que pasa es que pareço ter me viciado em leituras do tipo Dr. Jekyll and Mr. Hyde! Há vários indivíduos aprisionados aqui dentro... Há vários "pedros" que entram em conflito a todo instante... E confessar-lhes-ei: essa "síndrome de Fernando Pessoa" mata, ainda que aos poucos, mas mata! É um estranho e deprimente caso clínico.
Lembro-me, por um instante, do meu poema favorito: AUTOPSICOGRAFIA, do Pessoa. É um textinho pequeno, mas sempre me chamou a atenção. Observemos:
AUTOPSICOGRAFIA (F. Pessoa)
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Há duas dores no poeta. Ou seriam dois poetas para uma dor única? Enfim, fato é que essas duas "coisas" convivem aqui dentro. Brigam, com certa freqüência, vale dizer... Mesmo porque, como afirma Pessoa, há uma dor que o poeta NÃO tem. Essa dor, após ser criada, ela vai se tornando cada vez mais e mais real. Até que chega um ponto em que naturalidade e artificialidade (em termos de dor) se tornam conceitos indissociáveis. O poeta não distingüe se a dor que está sentindo naquele momento é a dele ou é a criada... E é bem verdade que, no fim das contas, ele acaba sofrendo por ambas!
E tem mais... Não é apenas a dor que é criada (e recriada). Os personagens também! Só que, após algum tempo, a persona não sai mais do rosto... A máscara gruda, com o suor da pele, no rosto do ator. E, a partir desse ponto, fica quase impossível que Mr. Hyde volte a ser Dr. Jekyll. Ele não consegue! As personalidades acabam se fundindo... E mais complexo: o ser que seria o misto entre Jekyll e Hyde ama e odeia chocolate. Os gostos, os ódios, os amores, os rancores, as paixões, as emoções, tudo se funde! Resulta que o estágio final desse "ser" não responde às leis da razão (seja lá quais forem essas!)...
Some a isso o fato de o "monstrinho" ter que usar seu lado "Jekyll" (o lado do "disfarce") para a pessoa mais importante em sua vida. Ufa! Essa é a parte mais complexa de todas! Usar um pseronagem com pessoas amadas. Seria tão mais fácil se a dita pessoa aceitasse ver o que há por trás daquela máscara. E aceitar como ela é!
Mas não... As pessoas curtem ser enganadas e gostam de máscaras. Preferem o conforto que o "papel" traz ao estresse que o "real" produziria. Confesso também que há uma certa irritação em meu tom de voz ao descrever essa parte da minha vida. Tenho uma vontade de dar umas sacudidas na pessoa e dizer: "Acorda, vê que esse não sou eu...". Mas acho que não adiantaria. Ainda que eu atirasse a máscara no chão (como já tentei), ela pegaria a máscara de volta e diria "Põe isso na cara agora mesmo! E nunca mais ouse a tirar a persona do rosto!".
O que me resta é pegar a máscara de volta e pôr no rosto outra vez. Abaixo a cabeça então e saio da sala, com o rabo entre as pernas. Ao que parece, as pessoas querem saber da Donatela, não interessa quem seja ou como esteja a Cláudia Raia. É mais fácil para as pessoas fazerem chacota que o casamento da Suzana Vieira era uma piada porque ela era uma velha pra ele do que pararem para observar, no próprio rosto daquela mulher nas capas de revistas, o sofrimento pela perda do ex-marido.
Mas que diabos pensam essas pessoas? Ah, como poderia me esquecer?! A onipotência humana... O homem é programado para ser máquina! E atender a todos os anseios da sociedade: como diria um livrinho de Ciências: (assim como as plantas) o ser humano nasce, cresce, se reproduz e morre...
Será? E se eu tirar a máscara? Olha que eu tiro hein?!